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GUAÇATONGA

 

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Pesquisadores da Unesp verificaram que a guaçatonga (Casearia sylvestris, comum do Rio Grande do Sul à Amazônia) produz compostos químicos do grupo das casearinas com atividade antitumoral. Os japoneses contudo, já haviam solicitado a patente das casearinas em 1998, o que impediu os brasileiros de solicitarem novas patentes. O patenteamento impõe limites à produção, mas não ao desenvolvimento científico. No caso da guaçatonga, os pesquisadores trabalham no monitoramento de populações de plantas e, por meio de análises químicas, procuram descobrir se e como o teor de casearinas se altera de acordo com o ambiente ou a época do ano. Uma mesma planta, como Otto Gottlieb demonstrou, pode produzir metabólitos diferentes de acordo com o ambiente onde vive, de suas condições fisiológicas (se está plenamente sadia ou não) e de situações de estresse, como a escassez de água, altas temperaturas ou geadas. Por essa razão, ao isolar uma substância é vital conhecer as condições em que a planta vive. Os pesquisadores da Unesp pretendem criar um método científico de padronização dos produtos medicinais feitos com plantas do Estado de São Paulo. O perfil químico das casearinas, por exemplo, vai indicar se um produto medicinal vendido como guaçatonga pelo Brasil afora é realmente guaçatonga e se o teor de casearinas é suficiente para a ação biológica pretendida.

No uso popular a casca da guaçatonga é util contra as febres perniciosas e inflamatórias, o suco ou decocção das folhas tem as mesmas propriedades medicinais da casca, sendo ainda, anti-diarréico e bom para combater as moléstias herpéticas e é usado interna e externamente contra as mordeduras de cobras. Fazem-se elixires depurativos, antirreumáticos, antiartríticos, cardio-tônicos, anti-obésicos, diuréticos, eficazes contra moléstias das pele de origem sifilítica, como também para eczemas, sarnas e úlceras.

A guaçatonga, uma planta brasileira de dois a seis metros de altura, bastante comum no Brasil e América Latina e utilizada por índios como antídoto para picadas de cobra, pode ser a mais nova arma contra úlceras gástricas-duodenais. Causadas por estresse ou maus hábitos alimentares, estas úlceras atingem milhares de pessoas no Brasil e se caracterizam por lesões na mucosa gástrica ou no duodeno, podendo atingir todo o sistema gastrointestinal. Pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, e do Instituto de Ciências Biomédicas da USP obtiveram sucesso na cicatrização de úlceras gástricas induzidas em animais de laboratório, utilizando substâncias obtidas de um extrato de folhas secas da Casearia sylvestris, nome científico da guaçatonga. Eles identificaram, isolaram e avaliaram princípios ativos relacionados com a atividade antiúlcera.

De acordo com um dos integrantes da pesquisa na Unesp, o farmacêutico Alberto José Cavalheiro, a principal vantagem de um novo medicamento à base de extrato da guaçatonga seria a sua ação rápida, sem causar efeitos colaterais – como a alteração do pH no estômago e a indução de contração uterina, o que impede o uso pelas gestantes – geralmente provocados pelos remédios tradicionais hoje disponíveis no mercado. “A cicatrização de úlcera crônica induzida experimentalmente em ratos foi mais rápida com o extrato da guaçatonga do que com os medicamentos mais utilizados”, avaliou. Junto com André Gonzaga dos Santos, Aristeu Gomes Tininis e Vanderlan da Silva Bolzani, também da Unesp, e com Jayme Sertié e Ricardo Woisky, da USP, Cavalheiro acaba de registrar o pedido de patenteamento do achado junto ao Instituto Nacional e Patentes Industriais (Inpi), com o auxílio do Nuplitec - Núcleo de Patenteamento e Licenciamento de Tecnologia da Fapesp. O próximo passo é aguardar os resultados dos ensaios clínicos e dos testes de toxicidade para avaliar a viabilidade do uso dos compostos em seres humanos.

http://www.redetec.org.br/inventabrasil/guacaton2.jpgAlberto José Cavalheiro é araduado em Farmácia - Modalidade Alimentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas - USP (1987), doutorado em Química pelo Instituto de Química - USP (1995). É professor assitente doutor junto ao Departamento de Quimica Organica do Instituto de Química de Araraquara - UNESP desde 1996. Atua na área de Química de Produtos Naturais, com particular interesse em desenvolvimento de métodos cromatográficos para análise de metabólitos secundários, variabilidade química intra-específica, bioprospecção e metabolômica aplicada à ecofisiologia vegetal.

Fonte:
http://www.fapesp.br/ciencia517.htm
http://www.rain-tree.com/guacatonga.htm
http://www.esalq.usp.br/trilhas/medicina/am28.htm
acesso em agosto de 2002
AGÊNCIA ESTADO DATA: 12/07/04 ON-LINE Guaçatonga faz úlcera cicatrizar mais rápido
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4799886P1
acesso em abril de 2010 ,BR> envie seus comentários para otimistarj@gmail.com.


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