Voltar ao menu principal

CATINGUEIRA

 

Resultado de imagem para catingueira planta"

Resultado de imagem para catingueira planta"

Resultado de imagem para catingueira planta"

Resultado de imagem para catingueira planta"

Caesalpinia pyramidalis Tul.

É uma arvoreta com até 4 m de altura. Folhas bipinadas com 5-11 folíolos, sésseis, alternos, obtusos, oblongos. Flores amarelas dispostas em racemos pouco maiores ou tão longos quanto as folhas. Vagem achatada de cor escura. Madeira para lenha, carvão e estacas. É uma das plantas sertanejas cujas gemas brotam às primeiras manifestações de umidade anunciadoras do período das chuvas. Então o gado procura as suas folhinhas com avidez, para pouco depois desprezá-las devido ao cheiro desagradável que adquirem ao crescer. As folhas, as flores e a casca são usadas no tratamento das infeções catarrais e nas diarréias e disenterias. É uma planta característica das catingas.



Outra indicação:

Catingueira: É muito empregada na medicina caseira ela é indicada para menstruações difíceis.

Pau-de-rato (Caesalpinia pyramidalis Tul.) mais conhecida como Catingueira, mas também conhecem como catinga-de-porco, sibipiruna e outros.

Uso Medicinal - As folhas, flores e casca são usadas no tratamento dasinfecções catarrais, nas diarréia, mal estar estomacal e disenterias.

A folha pode se fazer um chá quando você estiver empachado, que a comida não lhe fez bem, o resultado é de imediato.

A flor algumas pessoas na Medicina popular usam para infecções do ovário, corrimento, bronquite. Para a bronquite tome o Chá da flor da catingueira - 3 vezes ao dia, durante 1 semana.

Com relevante potencial forrageiro e medicinal, uma das plantas ainda bastante encontrada no semiárido brasileiro é a catingueira, também conhecida em algumas regiões como “pau-de-rato”. No período de floração, entre os meses de outubro e fevereiro, a planta da família das fabaceae é facilmente identificada na paisagem da caatinga, pois suas flores amarelas destacam-se em meio a vegetação do bioma.

Na época da estiagem, as folhas e as vargens caem e secam no chão, mas não perdem o valor nutricional, sendo um alimento de qualidade para caprinos e ovinos. A lenha também é aproveitada como estacas para cercas e antigamente, após ser queimada era matéria-prima útil na fabricação de sabão. Outra utilidade reconhecida e bastante explorada nesta árvore é o uso medicinal que é feito da casca, flores e frutos. Muitas famílias, sobretudo nas comunidades rurais, mantém o hábito de fazer chás e expectorantes para curar ou controlar infecções intestinais, diarreias, gripes fortes ou catarro.

A ocorrência desta espécie se dá principalmente em solos pedregosos, mas adapta-se a muitos outros tipos de solos. Chegando a medir até 8 metros de altura, seu tronco ou galhos servem de abrigo para alguns insetos, abelhas silvestres, marimbondos e pássaros, que fazem seus casulos, colmeias, ninhos, etc.

Apesar de ser uma espécie em abundância nos estados do Nordeste brasileiro, há a preocupação em garantir a reprodução da planta, destacando sua importância para o bioma, inclusive porque suas flores atraem os insetos polinizadores. Nesse sentido, o Recaatingamento, projeto desenvolvido pelo Irpaa com o patrocínio da Petrobras, reconhece e valoriza a catingueira como espécie indispensável no repovoamento vegetal de áreas degradadas da caatinga.

Na comunidade Fartura, em sento Sé, mudas de catingueira foram plantadas na área de fundo de pasto isolada para recuperação. As mudas foram produzidas e doadas pelo Centro de Recuperação de Áreas Degradadas – CRAD/UNIVASF, um dos parceiros do projeto que tem contribuído também com a doação de outras espécies da caatinga ou exóticas, as quais são plantadas nas sete comunidades do norte da Bahia onde o projeto vem sendo implementado desde o ano passado.

Rev. Bras. Farm. 93 (1): 68-79, 2012 69 Santos et al.

Nas sociedades contemporâneas, o conhecimento tradicional de plantas medicinais tem sido fortemente incorporado, uma vez que a fitoterapia destaca-se entre as inúmeras alternativas terapêuticas conhecidas e praticadas no mundo (Alves & Rosa, 2005; Alves & Rosa, 2007), que deve ser estimulada, assegurando o uso racional e integrando os cuidados com a saúde. Incluem-se nesta conduta as leis brasileiras na forma de Práticas Integrativas e Complementares (Who, 2001; Brasil, 2006). Diante do conhecimento acumulado, surge uma necessidade de estudar o uso das plantas pelos grupos humanos de diferentes culturas a fim de obter informações que possam ser empregadas na procura de substâncias biologicamente ativas para utilização na produção de medicamentos (Coutinho et al., 2002). Porém, observa-se que o conhecimento das práticas curativas tradicionais, principalmente do uso plantas silvestres, está desaparecendo devido à rápida modernização e a mudança de estilos para os mais atuais (Agra et al., 2008). Por outro lado, as causas julgadas como mentais e espirituais para os males que se apresentam retomam a importância dos recursos naturais para o tratamento nos diferentes grupos sociais e culturais (Pieroni & Quave, 2005). Surge, então, a preocupação com a conservação dos recursos florísticos, visto que muitos vegetais são utilizados não somente como medicinais, mais também como energéticos, forrageiros, místicos, entre outros (Baggio, 1988). Avaliando, ainda, a proteção de recursos, a Caatinga é considerada um Bioma de especificidade brasileira, compreendendo 925.043 Km2 , ou seja 55,6% do Nordeste brasileiro, representa o principal ecossistema dessa região (Silva et al., 2003). Porém, pouca atenção é dada à conservação de sua variada e marcante paisagem (Leal et al., 2005). Tendo em vista que o resgate e a valorização dos saberes tradicionais têm implicações na medicina, ecologia e manejo dos recursos naturais (Posey, 1986), o presente trabalho teve como objetivo analisar a utilização dos vegetais empregados na medicina popular em uma comunidade rural do Município de Queimadas, no agreste semi-árido do estado da Paraíba, Nordeste do Brasil, verificando os vários aspectos relacionados a essa prática na região. MATERIAIS E MÉTODOS Área de estudo O estudo foi realizado na comunidade rural Castanho de Baixo, município de Queimadas (latitude 7º21´29"S e longitude 35º53´53"W), Paraíba, Nordeste do Brasil. A comunidade é composta por cerca de 90 residências distribuídas de forma heterogênea. Apresenta a distância de, aproximadamente, 117 km da cidade de João Pessoa, capital da Paraíba e 15 km da cidade de Campina Grande. Os moradores são, em maioria, agricultores de subsistência, residindo há mais de duas gerações na comunidade. O município de Queimadas está inserido predominantemente na unidade geoambiental da Depressão Sertaneja, que representa a paisagem típica do semi-árido nordestino. Parte de sua área, ao norte, se insere na unidade geoambiental do Planalto da Borborema (Brasil, 2005). Coleta e análise dos dados As entrevistas foram realizadas ao longo dos meses de setembro de 2007 a março de 2009. Visto a complexidade do contexto que envolve a pesquisa etnoecológica, as abordagens aos entrevistados foram realizadas em vários momentos, utilizando-se da técnica do espelhamento e sincronismo (rapport), a fim de concretizar um levantamento do conhecimento local com a naturalidade de diálogos entre especialistas. Essas abordagens tiveram como objetivo principal a conquista da confiança, item indispensável na obtenção de informações. Através da técnica da bola de neve (snow ball) (Bailey, 1984) foram identificados os especialistas locais, ou seja, pessoas da comunidade que são reconhecidas como detentoras de maior conhecimento acerca do uso de plantas para fins medicinais. Além dos especialistas, também foram entrevistadas pessoas que demonstraram utilizar estes recursos, oportunamente encontrados e que aceitaram participar do estudo. As informações foram obtidas através de questionários semi-estruturados, complementadas por entrevistas livres e conversas informais (Albuquerque & Lucena, 2004). Antes de cada entrevista foram explicados a natureza e os objetivos da pesquisa e solicitada a permissão aos entrevistados para registrar os informes. Evitou-se a introdução de comentários ou condições pelo entrevistador/ investigador que pudessem influenciar a resposta dada pelos informantes (Posey, 1986). Foram coletados exemplares das espécies citadas pelos entrevistados, com a ajuda dos mesmos. O material botânico coletado foi herborizado segundo métodos habituais em Botânica, e a identificação das espécies foi realizada através de visualizações de campo, consultas à bibliografia especializada, comparações com materiais previamente identificados por especialistas, depositados no acervo do Herbário Lauro Pires Xavier (JPB), da Universidade Federal da Paraíba e, quando necessário, por consulta direta aos mesmos. Exsicatas do material coletado foram depositadas no referido Herbário. A lista florística seguiu a classificação filogenética APG - Angiosperm Phylogeny Group - II (2003). Listas das plantas citadas e suas indicações terapêuticas, bem como as formas de uso dos medicamentos, foram organizadas. Em seguida, elaborou-se uma listagem com todas as espécies identificadas e suas respectivas famílias. Todas as doenças tratadas pelas plantas citadas foram agrupadas em categorias, com base na classificação usada pelo Centro Brasileiro de Classificação de Doenças. Para estimar a variabilidade de uso das plantas referidas, foi calculado o Fator de Consenso dos Informantes (FCI), adaptado de Heinrich et al. (1998), que permite identificar quais as categorias de doenças que apresentaram maior importância na comunidade pesquisada. Para cada espécie, o Valor de Uso (VU) calculado demonstra a importância da mesma conhecida no local (Phillips et al., 1994 - adaptado). Para análise das informações sócio-econômicas utili- Rev. Bras. Farm. 93 (1): 68-79, 2012