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AVELÓS

 

Avelós

Planta Avelós é a base para uma pesquisa desenvolvida em Valinhos (Foto: Luiz  Pianowski/ Arquivo Pessoal)

Avelós (http://www.mediconic.com/materia/a-planta-cachorro-pelado-cura-mesmo-cancer)

Avelós (http://www.mediconic.com/materia/a-planta-cachorro-pelado-cura-mesmo-cancer)

Pesquisa em Valinhos busca cura do câncer por meio de planta medicinal

Dia Mundial do Câncer é comemorado nesta terça-feira (4).
Novo tratamento com Avelós é desenvolvido em laboratório desde 2006.

Do G1 Campinas e Região

Planta Avelós é a base para uma pesquisa feita em
Valinhos (Foto: Luiz Pianowski/ Arquivo Pessoal)

A planta medicinal Avelós, de origem africana e que pode ser encontrada em todo o Brasil, é a base para uma pesquisa desenvolvida em Valinhos (SP) que busca alcançar um novo tratamento para o câncer. Após atingir resultados significativos em cultura de células cancerígenas in vitro, o método está na fase de testes em animais. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (4), Dia Mundial do Câncer, pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), o estado de São Paulo é o que mais deve registrar novos casos da doença este ano, com 152 mil notificações. Em nível nacional, a estimativa é de cerca de 580 mil.

Segundo o condutor da pesquisa, Luiz Francisco Pianowski, formado em farmácia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e doutor em Tecnologia Farmacêutica em Porto, cidade portuguesa, a pesquisa iniciada em 2006 promete desenvolver um medicamento menos agressivo que os tratamentos com quimioterapia. Ele explica que foi preciso identificar e isolar três elementos importantes da planta. “Com as três moléculas separadas, registramos que mais de 50% das células cancerígenas foram induzidas ao suicídio em testes in vitro. Esse resultado é muito significativo e nos permitiu fazer testes em seres vivos”, afirma.

Pianowski afirma que os testes in vitro foram conduzidos para o Hospital do Câncer de Barretos (SP). “Fizemos testes aqui no laboratório [de Valinhos] e depois repassamos para o pessoal do hospital”, conta. Agora, a fase com animais é desenvolvida em laboratórios da Alemanha e de Portugal. Segundo o especialista, a previsão é de que os resultados obtidos com animais sejam concluídos em até quatro meses. Caso alcance respostas positivas, deverá passar pela última etapa envolvendo grupos de pessoas. "A parte mais difícil é de encontrar as plantas e chegar a molécula, isso durou oito anos e nós ja finalizamos. Agora é continuar os testes para ver se eficaz ou não e entrar no mercado", completa.

Condutor da pesquisa com planta Avelós, Luiz  Pianowski (Foto:  Luiz  Pianowski/ Arquivo Pessoal)

Especialista Luiz Pianowski iniciou a pesquisa em
2006 (Foto: Luiz Pianowski/ Arquivo Pessoal)

Riscos
O pesquisador ressalta a importância de não utilizar medicamentos ou plantas medicinais sem prescrição médica. “A diferença entre um remédio e o veneno é a dosagem, portanto é importante que as pessoas não utilizem as plantas sem acompanhamento especializado. O leite da Avelós, por exemplo, pode levar à cegueira”, alerta.

Atletas da ciência
Para o especialista, a falta de investimento público e privado em cientistas e laboratórios farmacêuticos dificulta o desenvolvimento de pesquisas no Brasil. Segundo ele, o país tem um potencial de cientistas que podem utilizar da biodiversidade para chegar a resultados expressivos na medicina. “Nós temos que parar de vender a matéria-prima e receber espelhinho, aqui temos cabeças tão boas quanto no exterior, mas é preciso investimento”.

Pionawski considera que os cientistas brasileiros são os “atletas a ciência”, pois não são reconhecidos pelo governo. “Temos que mudar a forma de pensar e passar acreditar, de fato, que repassar verba para pesquisa não é custo, é investimento”, destaca.

No Brasil, um inovador tratamento ao câncer

Pesquisadores desenvolvem terapia inédita na América Latina, em fase de testes, para combater doença. Nos EUA, custa US$ 475 mil — aqui, poderá ser oferecida pelo SUS. Leia também: governo do PA proíbe advogados da OAB em presídios

 

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Por Maíra Mathias e Raquel Torres

PRIMEIRO SUCESSO 

Um paciente de 62 anos que tinha linfoma, já havia passado por quimio, radioterapia e imunoterapia e estava em fase terminal deve receber alta amanhã, depois de ser submetido a um tratamento inédito na América Latina. Como pacientes de câncer só são considerados curados após cinco anos de acompanhamento, o termo ainda não pode ser usado. Porém, o homem está “virtualmente curado”.

Não foi milagre, mas o resultado de uma terapia inovadora totalmente desenvolvida no Brasil, por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto. Trata-se da técnica conhecida como CAR T-cells, que consiste na manipulação de células do sistema imunológico do paciente para que ele próprio combata a doença. Esse é um método recente, que por aqui ainda está em fase de pesquisas, mas nos países onde já foi aprovado para uso, custa muito, muito caro. Nos EUA, o preço chega a mais de US$ 475 mil, informa o G1. No Brasil, essa foi a primeira vez que o método foi testado. O médico Renato Cunha, um dos responsáveis pelo estudo, espera que um dia o tratamento seja acessível pelo SUS. 

Tudo começou porque o filho de Vamberto Luiz de Castro, o paciente virtualmente curado, pesquisou na internet e viu que Cunha tinha ganhado um prêmio da Associação Americana de Hematologia para desenvolver a CAR T no Brasil. Depois de uma conversa, ficou combinado que a equipe da USP daria entrada nos trâmites para que a terapia fosse aplicada. Nesse caso, não se tratou de um ensaio clínico convencional, com vários voluntários, mas do uso compassivo da técnica, aprovado quando não há outras abordagens que possam ajudar o doente. No caso de Vamberto, sumiram os sintomas do linfoma, os exames de sangue estão normais e ele começou a ganhar peso. Mais quatro pessoas estão na fila para receber o tratamento. 

VIDAS AMARGAS

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo e a atividade gera R$ 40 bilhões por ano. Mas, na base dela, estão pessoas sem salários nem condições dignas de trabalho e de vida. No Outras Palavras, Roney Rodrigues descreve o relatório Frutas Doces, Vidas Amargas, lançado ontem pela Oxfam Brasil, que analisa as cadeias produtivas do melão, da uva e da manga.

São cultivos importantes no Nordeste e que geram empregos no semiárido. Só que seus trabalhadores estão entre os 20% mais pobres do país, vivem sob ameaça de contaminação por agrotóxicos, comem mal e não têm condições de segurança e subsistência. Metade deles é de “safristas”, ou seja, são empregados durante seis meses e ficam sem trabalho o resto do ano. A renda mensal não ultrapassa os R$ 700. “O argumento de que qualquer emprego é melhor que nenhum emprego coloca sobre os trabalhadores o peso de aceitarem qualquer condição de trabalho e exime setores econômicos de suas responsabilidades. Isso não é justo. A cadeia das frutas gera riqueza e é necessário que essa riqueza seja mais bem distribuída”, afirma Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

Completando (e impulsionando) a injustiça, grandes redes de supermercados fazem vista grossa às violações trabalhistas dos fornecedores. A Oxfam Brasil analisou políticas e relatórios disponibilizados publicamente pelas três maiores delas (Carrefour, Pão de Açúcar e Grupo Big, ex-Walmart Brasil) e concluiu que, se quisessem  elas poderiam incidir na produção para garantir uma situação melhor. Seria preciso fiscalizar violações e avançar na transparência em relação às informações sobre a cadeia produtiva. 

EFEITOS COLATERAIS

O vazamento a óleo que já atinge 139 pontos de nove estados do Nordeste tem vários efeitos para a saúde. A inalação dos gases liberados com a vaporização do petróleo pode desencadear doenças respiratórias, como bronquite, asma e até pneumonia química. O contato com o composto também causa problemas na pele. Caso as pessoas sejam expostas de forma repetida e prolongada à poluição, podem ter problemas mais graves, como elaioconiose, uma lesão por obstrução de poros. “O petróleo é resultante da decomposição de matéria orgânica presente no planeta há milhões de anos, formando uma mistura de hidrocarbonetos como tolueno, xileno, benzina e benzeno. Sendo assim, o risco se assemelha ao de inalar ou passar gasolina ou querosene na pele”, explicou Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica da USP ao Estadão

Reportagem da Folha percorreu oito praias em cinco cidades afetadas pelo vazamento. E presenciou outros efeitos colaterais do vazamento. Em Conde, na Bahia, os pescadores não vão ao mar desde a última sexta-feira. “Com esse tanto de óleo, ninguém vai querer comer o peixe da nossa região. É a nossa sobrevivência que está em jogo”, disse Givaldo Batista, presidente da colônia de pescadores local. “Sem peixe nós vamos comer o quê? Pirão de betume?”, desabafa outra pescadora ouvida pela reportagem. A região é afetada também por conta do turismo: as reservas em hotéis e pousadas têm sido canceladas. 

À análise da Petrobras, se somou outra, da Universidade Federal da Bahia, concluindo que o óleo vazado tem origem na Venezuela. O governo venezuelano, contudo, negou a responsabilidade pelo derramamento ontem. A Marinha segue investigando e notificou, também ontem, 30 navios-tanque, de dez países diferentes a prestarem esclarecimentos.

VETO

O presidente Jair Bolsonaro decidiu vetar, integralmente, um projeto de lei que obrigava os hospitais públicos e privados a notificar os casos suspeitos de violência contra a mulher à polícia em, no máximo, 24 horas. Atualmente, a legislação determina a notificação obrigatória de casos de violência contra a mulher atendidos em serviços de saúde, mas o texto da deputada federal Renata Abreu (PTN-SP) ia além, e propunha que as unidades informassem também os indícios. Segundo a parlamentar, essa notificação ajudaria que as secretarias de Justiça apurassem melhor as estatísticas: “a mulher agredida, por medo, deixa de registrar o boletim de ocorrência, porém, procura um hospital devido às lesões”, explica. 

O veto se deu após consulta aos ministérios da Saúde e da Mulher, Família e Direitos Humanos. A justificativa que chegou ontem ao Senado foi esta: “A proposta contraria o interesse público ao determinar a identificação da vítima, mesmo sem o seu consentimento e ainda que não haja risco de morte, mediante notificação compulsória para fora do sistema de saúde. Isso vulnerabiliza ainda mais a mulher, tendo em vista que, nesses casos, o sigilo é fundamental para garantir o atendimento à saúde sem preocupações com futuras retaliações do agressor, especialmente quando ambos ainda habitam o mesmo lar ou ainda não romperam a relação de afeto ou dependência.” Detalhe: ontem foi comemorado o Dia Nacional de Combate à Violência contra a Mulher.

PROIBIDA A ENTRADA

As denúncias de tortura em presídios do Pará estão dando resultado. Mas no mínimo um deles é péssimo: o governo do estado – que nega as acusações – pediu à Justiça a proibição de entrada dos advogados da OAB/PA nos presídios paraenses por 30 dias, a contar de 2 de outubro. E conseguiu.  A Ordem é responsável por grande parte das denúncias. No Brasil de Fato, o presidente da entidade, Alberto Campos, afirma que a medida vai além da violação das prerrogativas da advocacia e escancara o estado de exceção implantado no sistema penitenciário do Pará: “Um dos primeiros atos dos anos de chumbo [da ditadura militar], qual foi? Foi a suspensão do habeas corpus. Qual é o primeiro ato desse superintendente ao editar as portarias? É afastar a advocacia de dentro do presídio. É isso que eles querem. Eles não querem a voz da advocacia, porque a voz da advocacia é a única que fala por aqueles que não têm voz”.

ÚNICO MESMO

O projeto de checagem de fatos da Folha pesquisou dados de vários países e chegou à conclusão que o Brasil é o único com sistema público de saúde universal e gratuito entre aqueles com mais de 200 milhões de habitantes. Na China, diz a reportagem, o sistema é público de saúde não é gratuito. Baseado em seguros, só cobre os empregados. Na Índia, o acesso à saúde é um direito constitucional, mas não há um sistema universal como o SUS. No ano passado, foi implantado um seguro que oferece cobertura de apenas R$ 28,6 mil por ano por família para tratamento hospitalar. Nos EUA, as pessoas não são atendidas sem plano de saúde “é o caso de 10% norte-americanos, o equivalente a 30,4 milhões de pessoas”, destaca o texto. Já na Indonésia, existe um programa de saúde pública criado em 2014, mas o atendimento é feito por seguros oferecidos pelo governo, com preços variáveis. No Paquistão, o sistema é privado. Em 2015, o país lançou um programa de cupons de saúde com valor fixo para a população que vive abaixo da linha da pobreza que dá direito a alguns serviços de emergência e maternidade. (Quem lembra a defesa feita por Paulo Guedes sobre a criação de um voucher no Brasil?) Finalmente, na Nigéria, há um órgão nacional que oferece seguros de saúde por valores fixos. 

Mas comparando com países que têm sistemas universais públicos – Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Suécia, Espanha, Portugal e Cuba – o Brasil continua sendo único, pois nenhum deles cobre mais de cem milhões de pessoas como faz o SUS. 

CONTIDO

A OMS declarou que o ebola agora está contido em uma área bem menor e principalmente rural da República Democrática do Congo: “Colocamos o vírus no canto”, disse Michael Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização. No entanto, o perigo ainda não acabou. Foram contabilizadas até agora 2.144 mortes. 

CONTRA O ABUSO

A 4ª Turma do TRF-3 manteve decisão que suspendeu o reajuste de planos de saúde para pessoas com 60 anos ou mais nos contratos que não previam essa cláusula. As seguradoras ainda vão ter que pagar, cada uma, indenização de R$ 10 mil por dano moral coletivo. Essa história começa em 2002, quando o MPF entrou com ação civil pública para que as operadoras que cobrassem esses aumentos em contratos antigos fossem condenadas a devolver o que foi cobrado ilegalmente.

NOVARTIS E FIOCRUZ

Nessa semana, a Fiocruz assinou um memorando de entendimento com a Novartis. No documento, a autarquia pública e a farmacêutica suíça se tornam parceiras para viabilizar pesquisas e produtos que ampliem o combate a quatro doenças negligenciadas: hanseníase, Chagas, malária e anemia falciforme. Não há valores totais descritos, mas o Brasil entraria com a mão-de-obra de pesquisadores, enquanto os custos operacionais, como os testes clínicos de novas drogas, seriam financiados pelo grupo suíço. Um projeto de pesquisa relacionado à doença de Chagas já está formatado: deve começar no ano que vem com um custo de US$ 8 milhões.